Uma mensagem, dois entendimentos

01/08/2009 às 7:10 PM | Publicado em Japão, Mangás, Papo com o Leitor | 7 Comentários
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Aqui estou eu de novo para meter bronca em mais conceitos otakus absurdos que se cristalizaram.

Falaremos de faixa etária de mangás e animes, sua censura e violência.

“Eu gosto de Naruto”, diz um otaku.
“Aquela desenho de criança?”, diz uma outra pessoa.
“Não é desenho! É anime!! E não é de criança, você acha que é de criança porque viu no SBT! Se visse o real, ia ver que é cheio de violência e mensagens sérias!!”, irrita-se o otaku.

Quem está errado?
Os dois.

Vamos começar analisando o conceito da faixa etária dos mangás no Japão:

A revista semanal Shonen Jump, onde são publicados os mais conhecidos mangás shonen da atualidade, como Naruto, One Piece, Bleach, Katekyo Hitman Reborn! e outros, é uma revista que tem como seu alvo principal pessoas do gênero masculino dos 10 aos 14 anos, mais ou menos. É basicamente um público do pré-adolescente à etapa inicial da adolescência. Isso porque estou sendo bonzinho. Porque me digam: 10 anos de idade não é criança, não? E está lendo seu amado Naruto. Se você tem 18, 19, 20 anos de idade e lê ou assiste Naruto, desculpe, mas, no Japão, você é minoria. É claro que é um número razoavelmente grande, mas o número de pré-adolescentes lendo é bem maior.

Mas então por que os cortes e censura nos animes que passam para as crianças (que também são o público alvo) aqui no Brasil? Se as crianças japonesas assistem à versão real sem problemas? Isso é uma questão cultural e educacional. Otakus, parem de usar a desculpa de que esses animes citados aí em cima não são para crianças e é por isso que são censurados aqui no Brasil. São censurados porque diferentes culturas e mentalidades reagem de forma diferente à mesma coisa.

A cultura e educação de nossas crianças, misturadas ao ambiente em que vivem, proporcionam um mau crescimento de seus valores. Achamos que violência é normal e, às vezes, até divertido, que podemos dar jeitinho em tudo, mesmo quando é ilegal (o “jeitinho brasileiro”), faltamos com respeito, não somos leais, não somos mente aberta. O pólo oposto ao da grande maioria dos orientais. É natural que os pais não queiram que os filhos assistam aos “desenhos japoneses horrorosos cheios de violência”. Quando pros japoneses eles são só… diversão.

Esse é um outro ponto da nossa cultura. É como se os pais achassem que é a TV e a escola que fossem responsáveis pela criação de seus filhos. Acham que a TV tem alguma obrigação de só mostrar desenhos educativos às crianças, de forma a complementar aquilo que eles mesmos não ensinaram. Não entendem que, um anime, por exemplo, não tem obrigação alguma de passar mensagens educativas (a menos que seja um anime educativo, como o recente Elementhunters, sobre o qual eu falo mais tarde). Estão lá só pra divertir, entreter. Você por acaso vai assistir One Piece ou Bleach pelo seu teor educativo? Até parece. No máximo aprende-se um pouco de japonês e uma ou outra coisa de cultura. Mas não é essa a intenção dos produtores. E aí, quando os pais brasileiros, aliás, os ocidentais em geral, vêem o filho assistindo animes assim, acham um absurdo que só exibam violência.

Mas os animes baseados nos mangás da Shonen Jump querem, em vez de mensagens educativas, mandar mensagens de certos valores. Para quem não sabe, o lema da Shonen Jump é “Esforço, Amizade e Vitória”, baseado numa pesquisa que fizeram com jovens garotos para saber que coisas eram mais importante para eles. E esses são os valores que a revista mais preza. Em consequência disso, os animes baseados em seus mangás os transmitem para as crianças que os assistem. Mas aqui, pela nossa cultura, algo com violência para crianças nunca seria algo que transmita esforço, amizade e vitória, apenas aulas de como ser bandido.

Mas aí, cês sabem, né. No Japão, esse conceito de aulas de como ser bandido nem entra na cabeça dos pais e muito menos das crianças.

7 Comentários »

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  1. é realmente…

  2. Isso quer dizer que você concorda? Hehe. Brincadeira.

    Bom, bem-vindo ao blog!

  3. concordo

  4. Que bom! Mas, mesmo que não concordasse, esse blog está aberto para discussões. Comentem, gente, não tenham medo de discordar ou concordar!

  5. Caramba, ultimamente você tá tendo mais tempo que antes. e_e’
    Eu visitava pouco por mês porquê você era bastante ocupado aí quando eu volto tem 2 posts imensos e um monte de OST e_e’

    Voltaaando, eu nem pensava direito nisso mas eu já via como é ridículo isso no Brasil. Você já viu Naruto no SBT? Tem até manchinha rosa no Asuma por causa do cigarro o_o’
    E resumidamente é como você disse, culturas diferentes. No Japão parece que as pessoas são mais calmas e não levam algumas coisas tããão a sério. Como aqui no Brasil é muito diferente, acaba gerando um preconceito ridículo muito grande ;S

  6. Tenho tido mais gás pra postar, mesmo, hehe. E ainda estou de férias. Por causa da gripe, as aulas foram adiadas até o dia 17 na minha faculdade.

    Acho censura uma coisa horrível e praticamente inútil. Não acho que seja uma coisa que faça muita diferença. Cortar uma cena ou outra não vai livrar a criança que está assistindo do real “todo”, entende? Imagina censurar, por exemplo, algum jogo violento, tipo GTA. Acha mesmo que só por censurar tudo o que há de violento ou sugestivo no jogo vai fazer a criança não sentir o verdadeiro efeito que está por trás de toda a censura?

  7. Nossa, o melhor exemplo é GTA.
    GTA é um jogo extremamente violento, mas as pessoas só usam por MERA DIVERSÃO. Matar pessoas, atropelar velhinhas, esfaquear, dar tiros, etc. É tudo muito legal e até engraçado as vezes, mas no JOGO.
    Acho que o que vai fazer a criança se tornar violenta, é de como será educada, com quem estará andando. Quem decide se uma pessoa será violenta ou não, são todas as/algumas pessoas ao seu redor e ela mesma, pois esses sim podem alterar algo no planeta. Coisa que um anime não pode


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