Finais

19/04/2013 às 7:48 PM | Publicado em Papo com o Leitor | 1 Comentário
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O final é a melhor parte de qualquer história.

Foi o que disse uma personagem do livro Light, último livro da série Gone, escrita por Michael Grant, que terminei faz pouco mais de uma semana. Coincidentemente, estou passando por uma crise de finais. E se estou passando por uma crise de finais, estou passando por uma crise que envolve a(s) história(s) inteira(s).

Em primeiro lugar, devo dizer que não concordo totalmente com a frase da personagem. Depende. Só que, no meu caso, tendo a curtir mais o processo da história, a jornada, a busca em si, do que seu final. Aliás, adoro inícios também. Tem algo nos bons inícios que me deixam com uma ansiedade deliciosa pelo que está por vir, uma expectativa empolgante.

Várias vezes um amigo meu me perguntou “Por que você nunca termina as coisas?” quando eu digo que ah, sim, eu cheguei a jogar tal jogo, mas não o terminei. Ou um anime. Ou um mangá. Ou uma série televisiva. Ou literária.

Acho eu que crio expectativas grandes demais, espero demais de uma obra, algo maravilhoso que parece ter sido feito exclusivamente para mim, não para outras milhões de pessoas.

Além disso, tenho essa ideia — ou pelo menos estou passando por essa fase — de que uma história legal é como a vida. A vida só termina quando você morre, ou seja, sua história só termina quando você morre. Desde quando a morte de alguém é a parte mais interessante da história dessa pessoa? A jornada, a vida não é muito melhor?

É por isso que devo ter desenvolvido, para meu azar de escritor, uma espécie de fobia de finais. Isso é terrível porque uma das velhas técnicas de elaborar uma história é a de começar pelo final. Eu sempre fui mais de ir descobrindo a história conforme eu escrevia, mas depois de vários fracassos com rascunhos recentes, decidi que seria melhor estruturar a história do início ao fim — ou do fim ao início.

Blinded I can’t see the end
so where do I begin

Versos de “The Beginning” da banda ONE OK ROCK, que ilustram bem como me sinto.

Se eu sou perfeccionista? É bem provável. Tenho sintomas. É comum ouvir pessoas dizendo que acharam tal filme ótimo, mas o final o estragou. Tenho um enorme receio de cometer o mesmo erro desse roteirista ou diretor. O primeiro crivo de qualidade do que escrevo sou eu mesmo, e o problema do perfeccionismo é que dificilmente você acha suas ideias lindas e perfeitas. Podem até ser para os outros, mas você é muito duro consigo mesmo.

Ultimamente tenho tentado formatos mais simples como o conto, porque ele te força a terminar a maldita história o quanto antes, mas ainda assim me sinto um tanto bloqueado.

Não é fácil, mas vou continuar tentando. Eu deveria agir como um escritor profissional e chutar o perfeccionismo para escanteio. Escritores profissionais não podem se dar ao luxo de terem bloqueios por medo ou coisa assim — eles simplesmente escrevem.

Quem sabe essa história não acaba bem?

1 Comentário »

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  1. Cara adorei seu site, acompanhando sempre agora ^_^
    abraços piá


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