Compilação de tweets não publicados (2)

21/10/2012 às 6:01 AM | Publicado em Besteiras, Papo com o Leitor | Deixe um comentário
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Às vezes acho que os hikikomori japoneses reclamam de barriga cheia. Pegar um ônibus no Japão, p. ex., deve ser menos estressante que aqui.

SOCIALIZAR de uma maneira geral, é o que estou querendo dizer. Nunca estive lá, não posso afirmar nada, mas é a impressão que ficou.

Sei lá, aqui parece que estão sempre querendo te passar a perna, tentando encontrar uma oportunidade pra te ferrar, rir de você, etc.

Uma teoria da minha irmã é de que o índice de suicídio do Japão e mesmo dos EUA é maior que o daqui devido a como cada cultura encara isso.

O brasileiro entende que é pra zoar e ser zoado mesmo, roubar e ser roubado, a vida é assim, engula. Já com os outros dois isso é sério.

Aí os questionamentos: O brasileiro é forte ou só é idiota? O japonês e o estadunidense são frescos ou corretos?

E ainda tem os fatores religiosos…

Bom, sei lá, eu acho que equilíbrio é vital em todas as áreas da vida, então… é.

@rafaelpombo

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Devaneios: livros brasileiros

12/10/2012 às 12:24 AM | Publicado em Livros, Papo com o Leitor | Deixe um comentário
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Excluindo o fator divulgação (algo estúpido de fazer, eu sei), certamente há alguma razão para que livros brasileiros sejam vistos como de qualidade inferior à de livros britânicos ou estadunidenses. Nenhum preconceito é por acaso, e não podemos negar que esse preconceito existe, talvez mais bem-fundamentado do que imaginamos.

Às vezes me pergunto se é o próprio cenário brasileiro que afasta os leitores. Tem gente que não quer ler sobre pobreza, favela e funk, por mais que sejam elementos da nossa realidade, e tem gente que acusa um livro de não estar em conformidade com a realidade só porque o enfoque da história é na classe B para cima e não na classe C para baixo.

É como se não importasse que tipo de história você tente escrever sobre o Brasil: o caos econômico e cultural parece não permitir que haja um sucesso nacional que não seja do Paulo Coelho.

Acredito que isso se aplique até à mentalidade de um personagem. Um protagonista honesto e disposto a morrer por uma ideologia ou por seus entes queridos? “Ah, isso não existe aqui!” Um protagonista malandro que passa a perna em todo o mundo? “Pô, só tem isso na ficção brasileira, que saco!”

Daí, talvez, a busca por uma literatura que retrate um cenário melhor (em alguns aspectos) e mais igualitário (isso, sem dúvida) como o de países desenvolvidos. É uma expatriação mental e voluntária.

Não sei qual é a saída, mas eu particularmente continuarei escrevendo o que acho que devo escrever. Ou melhor, o que quero escrever. A minha própria história tem de me agradar antes de agradar os outros. Aconteça ela no Brasil, em Atlântida ou em Nibiru.

Projeto: antologia de light novels

28/09/2012 às 12:04 PM | Publicado em Informativo, Livros, Papo com o Leitor | Deixe um comentário
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Olá, pessoal!

Voltamos depois de… de… muito tempo para anunciar uma coisa legal! Não vou me estender, não vou de fato criar um post completo a respeito do que quero dizer, pois três colegas escritores já fizeram isso, e é justamente para os posts deles que gostaria de redirecioná-los. Antes, porém, uma rápida explicação:

Há um projeto em andamento de uma antologia de light novels da qual eu — acho que não preciso fazer mistério — farei parte, e o objetivo de todos os envolvidos é, obviamente, como dizem os estadunidenses, “espalhar o amor” (hehe) por esse tipo de livro. Conhecer as light novels, eu diria que hoje muitos otakus brasileiros já conhecem, mas falta um incentivo para que elas atinjam um nível de apreciação pelo menos próximo ao dos mangás.

Bem, acessem o blog do Joe de Lima e leiam a historinha superlegal que ele criou apresentando as light novels, mencionando o projeto e, sem que eu pedisse, divulgando meu próprio livro Elementais: O Receptáculo do Caos. Acessem também o do Luiz Dreamhope e o da Yumi Moony, igualmente informativos.

Falando rapidamente do meu livro, percebo como é importante que esse tipo de obra tenha mais atenção do público que curte a cultura pop japonesa. Para um romance que é digital e ao mesmo tempo light novel, eu diria até que ele foi mais comentado em alguns blogs do que eu imaginava e teve notas positivas no Skoob; mas ainda assim, quem gosta de mangás e animes muitas vezes não costuma ler livros, e quem gosta de ler livros não necessariamente é um otaku. Devido à própria natureza de uma obra do gênero, seu público acaba sendo restrito. Por isso a vontade do pessoal que quer escrever light novels de divulgá-las.

Pode ser que leve um tempo para mais otakus brasileiros pegarem o gosto pela literatura, mais pessoas estão lendo no país, mas até lá, quanto mais gente que já curta animes, mangás e livros ficar sabendo dessas novas ideias, melhor.

Nomes brasileiros em japonês

28/09/2011 às 4:51 PM | Publicado em Besteiras, Informativo, Japão | Comentários desativados em Nomes brasileiros em japonês
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Oi, gente, há quanto tempo não venho aqui!

Hoje um colega da Internet, o Sr. Fabiano Alves, o Tolo, disse-me via Twitter para não fechar este meu blog aqui. Bem, fechar, eu não fecharia mesmo, no máximo só o deixaria abandonado, como esteve por mais de quatro meses (aliás achei que fossem muito mais do que quatro meses, hehe). Uma coisa que estava acontecendo aqui — e continua acontecendo — é a grande quantidade de comentários que recebo no post “Nomes Japoneses”, com pessoas perguntando como são seus nomes na língua nipônica. Bem, gente, por algum tempo eu respondi de bom grado a muitas dessas perguntas, mas devo dizer que o objetivo do post não era esse. É um post, como diz o título, sobre nomes japoneses, e não sobre como são nomes brasileiros em japonês. Por causa disso, resolvi fechar os comentários do famoso post e fazer um com os nomes brasileiros mais comuns em japonês. Talvez você não encontre o seu aqui, mas também não tem como listar todos os nomes existentes e suas variantes, não é?

Bem, vamos lá:

Maria (em japonês: マリア) [pronuncia-se: Maria]
Ana (em japonês: アナ) [pronuncia-se: Ana]
João (em japonês: ジョアン) [pronuncia-se: Joan]
Mateus/Matheus (em japonês: マテウス) [pronuncia-se: Mateusu]
Pedro (em japonês: ペドロ) [pronuncia-se: Pedoro]
Gabriel (em japonês: ガブリエル) [pronuncia-se: Gaburieru]
Luís/Luiz (em japonês: ルイス) [pronuncia-se: Ruisu]
Gustavo (em japonês: グスタボ) [pronuncia-se: Gusutabo]
Guilherme (em japonês: ギリェルメ) [pronuncia-se: Giryerume]
Júlia (em japonês: ジュリア) [pronuncia-se: Juria]
Kauã (em japonês: カウアン) [pronuncia-se: Kauan]
Lucas (em japonês: ルーカス) [pronuncia-se: Rūkasu]
Mariana (em japonês: マリアナ) [pronuncia-se: Mariana]
Nícolas/Nicolas (em japonês: ニコラス) [pronuncia-se: Nikorasu]
Rafael/Raphael (em japonês: ラファエル) [pronuncia-se: Rafaeru]
Vinícius (em japonês: ヴィニシウス) [pronuncia-se: Vinishiusu]
Daniel (em japonês: ダニエル) [pronuncia-se: Danieru]
Felipe (em japonês: フェリペ) [pronuncia-se: Feripe]
Gabriela (em japonês: ガブリエラ) [pronuncia-se: Gaburiera]
Kaíque (em japonês: カイーケ) [pronuncia-se: Kaīke]
Samuel (em japonês: サムエル) [pronuncia-se: Samueru]
Bruno (em japonês: ブルーノ) [pronuncia-se: Burūno]
Filipe (em japonês: フィリペ) [pronuncia-se: Firipe]
Francisco (em japonês: フランシスコ) [pronuncia-se: Furanshisuko]
Gabrieli (em japonês: ガブリエーリ) [pronuncia-se: Gaburiēri]
Giovanna (em japonês: ジョヴァンナ) [pronuncia-se: Jovanna]
Luan (em japonês: ルアン) [pronuncia-se: Ruan]
Miguel (em japonês: ミゲル) [pronuncia-se: Migeru]
Victor (em japonês: ビトール) [pronuncia-se: Bitōru]

Personagens de mangá, sua popularidade em diferentes países e uma análise

23/01/2011 às 8:28 PM | Publicado em Animes, Besteiras, Mangás, Papo com o Leitor | 22 Comentários
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Certa vez, eu li em algum site sobre a diferença da fama de alguns personagens de mangá em diferentes países. Como assim? Ora, primeiramente, é evidente que o personagem de que você mais gosta não é necessariamente o personagem preferido de outra pessoa, muitas vezes nem está no Top 5 dela. Então não é estranho que haja uma variação também da popularidade de um personagem em vários países.

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Um Novo “Elementais”, em Breve

25/02/2010 às 1:44 PM | Publicado em Informativo, Livros, Notícias, Papo com o Leitor | 3 Comentários
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Acho que já está na hora de revelar isso!

Lembram-se de quando mencionei que estava trabalhando em um projeto de livro, há quase três meses atrás? Bem, a verdade não é muito surpreendente.

Trata-se de mais uma nova versão de Elementais, a qual tenho gostado muito e acho que vai vingar melhor do que qualquer outra! Está mais simples e mais direta, porém mais interessante, creio eu. Bolei alguns personagens diferentes enquanto mantive os antigos, o ritmo está mais equilibrado e acho que o enredo não está tão confuso quanto antes. Agora o primeiro volume foca em um tema mais específico e não diverge dele como acontecia antes, em que íamos do Brasil ao Japão e vice-versa sem um objetivo específico e o leitor ficava: “Tá, mas a grande questão desse volume é qual?” O número de personagens foi reduzido e, bem, tudo está mais condensado.

Se tudo na história correr como planejado, o nome do primeiro volume dessa nova versão será O Olho do Apocalipse.

Sendo assim, aviso que a versão de Elementais que se encontra aqui no blog, bem como os perfis de personagens e outros dados, não mais serão consideradas como a versão oficial e serão retirados assim que eu completar a atual em que estou trabalhando.

É isso! Recado dado! Logo devo postar aqui um trechinho! Aguardem!

O Brasil nos Animes

20/08/2009 às 5:59 PM | Publicado em Informativo | Deixe um comentário
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Lembrei de algo interessante para postar aqui. Há um bom tempo, eu achei um tópico de um fórum onde os membros estavam discutindo sobre animes que mencionavam o Brasil em algum episódio. Como achei que o tópico, apesar de antigo (começou no início de 2008), poderia render mais, eu o adicionei aos favoritos. Hoje, o tópico já possui diversos exemplos de animes onde o Brasil é citado e achei superinteressante, pois a não ser que seja Captain Tsubasa (Super Campeões), é difícil mencionarem nosso país em algum anime. Mas os membros do fórum foram perspicazes e deram vários exemplos para nós! Dêem uma conferida:

O Brasil nos Animes

Uma mensagem, dois entendimentos

01/08/2009 às 7:10 PM | Publicado em Japão, Mangás, Papo com o Leitor | 7 Comentários
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Aqui estou eu de novo para meter bronca em mais conceitos otakus absurdos que se cristalizaram.

Falaremos de faixa etária de mangás e animes, sua censura e violência.

“Eu gosto de Naruto”, diz um otaku.
“Aquela desenho de criança?”, diz uma outra pessoa.
“Não é desenho! É anime!! E não é de criança, você acha que é de criança porque viu no SBT! Se visse o real, ia ver que é cheio de violência e mensagens sérias!!”, irrita-se o otaku.

Quem está errado?
Os dois.

Vamos começar analisando o conceito da faixa etária dos mangás no Japão:

A revista semanal Shonen Jump, onde são publicados os mais conhecidos mangás shonen da atualidade, como Naruto, One Piece, Bleach, Katekyo Hitman Reborn! e outros, é uma revista que tem como seu alvo principal pessoas do gênero masculino dos 10 aos 14 anos, mais ou menos. É basicamente um público do pré-adolescente à etapa inicial da adolescência. Isso porque estou sendo bonzinho. Porque me digam: 10 anos de idade não é criança, não? E está lendo seu amado Naruto. Se você tem 18, 19, 20 anos de idade e lê ou assiste Naruto, desculpe, mas, no Japão, você é minoria. É claro que é um número razoavelmente grande, mas o número de pré-adolescentes lendo é bem maior.

Mas então por que os cortes e censura nos animes que passam para as crianças (que também são o público alvo) aqui no Brasil? Se as crianças japonesas assistem à versão real sem problemas? Isso é uma questão cultural e educacional. Otakus, parem de usar a desculpa de que esses animes citados aí em cima não são para crianças e é por isso que são censurados aqui no Brasil. São censurados porque diferentes culturas e mentalidades reagem de forma diferente à mesma coisa.

A cultura e educação de nossas crianças, misturadas ao ambiente em que vivem, proporcionam um mau crescimento de seus valores. Achamos que violência é normal e, às vezes, até divertido, que podemos dar jeitinho em tudo, mesmo quando é ilegal (o “jeitinho brasileiro”), faltamos com respeito, não somos leais, não somos mente aberta. O pólo oposto ao da grande maioria dos orientais. É natural que os pais não queiram que os filhos assistam aos “desenhos japoneses horrorosos cheios de violência”. Quando pros japoneses eles são só… diversão.

Esse é um outro ponto da nossa cultura. É como se os pais achassem que é a TV e a escola que fossem responsáveis pela criação de seus filhos. Acham que a TV tem alguma obrigação de só mostrar desenhos educativos às crianças, de forma a complementar aquilo que eles mesmos não ensinaram. Não entendem que, um anime, por exemplo, não tem obrigação alguma de passar mensagens educativas (a menos que seja um anime educativo, como o recente Elementhunters, sobre o qual eu falo mais tarde). Estão lá só pra divertir, entreter. Você por acaso vai assistir One Piece ou Bleach pelo seu teor educativo? Até parece. No máximo aprende-se um pouco de japonês e uma ou outra coisa de cultura. Mas não é essa a intenção dos produtores. E aí, quando os pais brasileiros, aliás, os ocidentais em geral, vêem o filho assistindo animes assim, acham um absurdo que só exibam violência.

Mas os animes baseados nos mangás da Shonen Jump querem, em vez de mensagens educativas, mandar mensagens de certos valores. Para quem não sabe, o lema da Shonen Jump é “Esforço, Amizade e Vitória”, baseado numa pesquisa que fizeram com jovens garotos para saber que coisas eram mais importante para eles. E esses são os valores que a revista mais preza. Em consequência disso, os animes baseados em seus mangás os transmitem para as crianças que os assistem. Mas aqui, pela nossa cultura, algo com violência para crianças nunca seria algo que transmita esforço, amizade e vitória, apenas aulas de como ser bandido.

Mas aí, cês sabem, né. No Japão, esse conceito de aulas de como ser bandido nem entra na cabeça dos pais e muito menos das crianças.

Nas Profundezas do Mar Sem Fim 2

02/06/2009 às 2:37 PM | Publicado em Informativo, Notícias, Papo com o Leitor | 4 Comentários
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No momento em que no que mais se fala é o desaparecimento do avião da Air France, queria falar sobre um caso que, por algum motivo, tem despertado mais o meu interesse há mais de um mês. Falo do caso do menino Sean Goldman, que por ordem de um juiz deverá voltar em até 48 horas para junto do pai biológico nos Estados Unidos.

O caso do garoto é complicado. Para os desavisados, tentarei resumir. O americano David Goldman conheceu e se casou com a brasileira Bruna Bianchi, tendo um filho, Sean, e os três passaram a viver juntos em Nova Jersey. Em 2004, quando Sean tinha 4 anos, Bruna viajou para o Brasil com Sean sob o pretexto de que seria uma viagem de visita à família dela, sendo que David só iria depois por motivos de trabalho. No entanto, uma semana depois, Bruna ligou para David avisando que não voltaria mais com Sean para os Estados Unidos, sem dar maiores explicações. Ela ainda se casou com um advogado no Brasil, separando-se de David no papel sem seu consentimento. Para piorar, Bruna morreu em 2008 com complicações durante o parto de sua filha que teve com o advogado.

Sean Goldman

Desde então, há uma luta de David para conseguir Sean de volta e uma luta do padrasto e da família materna de Sean no Brasil para mantê-lo aqui. Antes, a justiça brasileira teria afirmado que Sean já estava habituado ao Brasil e que deveria ficar aqui, apesar de ter ido contra a chamada Convenção de Haia. Mas agora, parece que as coisas mudaram, e David provavelmente terá Sean de volta.

A grande questão é a felicidade do garoto, que eu acho que é o que realmente importa. Sean, hoje com 9 anos de idade, já afirmou querer ficar no Brasil, mas não podemos excluir o fato de que o pai biológico também tem todo o direito de ter acesso ao filho e ficar com ele.

O jeito talvez seja Sean vir para o Brasil durante férias ou feriados, mas, por lei, terá mesmo que ficar com o pai biológico. É mesmo uma questão complicada… Gostaria de saber as opiniões de todos, porque o Amanohara também está disposto a lidar com notícias e questões do dia-a-dia para debatermos sobre elas.

Etnocentrismo e o Outro

19/05/2009 às 8:29 PM | Publicado em Papo com o Leitor | 8 Comentários
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Originalmente isso era uma resposta ao comentário do nosso amigo Letty, no post da “Shojo S”. Mas, como ficou muito grande, resolvi fazer um post sobre isso. Só gostaria de avisar ao Letty que isso ERA uma resposta ao comentário dele, mas emendei em uma mensagem que fosse pra todos e fazendo de gancho o comentário dele. Vamos lá:

Eu quis dizer impactante de forma positiva. "Shojo S" foi impactante de forma negativa. Mas, pra mim, foi positiva, sim, já disse que gostei. Com um nome como "Shojo S", eu já esperava uma música mais tranquilinha, mais YUI, ou seja, a batida é legal. Alguns consideram "batida legal" rock pesado, mas comigo não é só isso. Não acho que foi brincadeirinha, a mente dos japoneses é muito diferente da nossa. Tenho certeza de que muito mais gente no Japão gostou da música do que aqui. Acho até que eles pensaram: "Finalmente uma abertura que não é só ceninha de ação! Algo mais artístico e bem bolado!"

Eu não queria dizer isso, mas, nós brasileiros somos chatos demais. Somos mente fechada demais. Nos achamos capazes de julgar se o modo como os japoneses estão produzindo um anime é certo ou errado, ou seja, para nós a nossa opinião, o que queremos e o nosso modo de pensar são os mais importantes (quase um etnocentrismo, hehehe) quando eles estão pouco se lixando se tem gente da América Latina assistindo ou não (até porque eles devem nos ver como tendo uma forma de pensar “bárbara, primitiva e preconceituosa”), para eles o que interessa é o modo de pensar e gostos JAPONESES. Temos que parar com isso de: "Quero música de abertura punk rock sempre, quero que o Zaraki apareça sempre, quero que o Ichigo e o ‘Emoquiorra’ morram", etc.

E aceitem, o Sasuke (sim, agora falando de Naruto) é EXTREMAMENTE popular no Japão, se não o mais popular, e aqui ele é altamente detestado, xingado e zoado. Percebem como o que impera é o que os japoneses preferem? E Naruto nem mesmo é TÃO popular assim no Japão comparado a outros certos animes e mangás. A mente deles é mesmo muito diferente, o que pra nós é coisa de menina, emo ou gay, pra eles é algo estiloso, e depois ficamos “Ps” da vida porque eles estão dando mais atenção a essas coisas do que àquilo que nós queremos que eles dêem. E o pior: Não entendemos por que eles gostam de tais coisas. Cara, é tão simples! Porque sim! Diferença de culturas, ora! Mais uma vez falo esse termo importantíssimo em sociologia, a qual venho estudando: ETNOCENTRISMO. Que é a tendência em se pensar que a cultura, costumes e modo de pensar do meio em que se vive são os melhores, os mais certos e os “normais” em comparação aos dos outros.

Mesmo que você goste de animes e queira assisti-los, prepare-se pois você VAI encontrar coisas das quais você não gosta, porque o choque de cultura e pensamento é grande demais por mais que você goste daquilo no geral. Lógico que não gostamos de coisas produzidas no ocidente também, mas, esse “não gostar” é diferente. Um é mais pela falta de qualidade de algo, o outro pela falta de entendimento.

Alguém conhece um grupo musical japonês chamado Hey! Say! JUMP? Ele é composto de dez meninos de idade entre 13 a 19 anos, por aí, que canta musiquinhas bem pop (daquelas de agradar meninas). Se um brasileiro que gosta de anime e cultura pop japonesa em geral, por mais que ele goste dessas coisas, visse algumas cenas dos bastidores desse grupo, iam achar que são gays! Porque a forma como eles agem e interagem é de um jeito diferente da amizade daqui, pois ela contém ações muito, digamos, carinhosas. Um dos membros mais velhos deixava um dos mais novos sentar no colo dele e todos comentavam o quanto o menor era kawaii (algo como “bonitinho”) fazendo isso. Pra eles, isso não é ser gay, esse tipo de termo dificilmente passa pela cabeça deles, apesar deles saberem o que é, claro, mas atos assim não são considerados como tal.

O mesmo pode-se falar dos emos. Que eu saiba, do tanto que já li coisas de lá e conversei com pessoas de lá, eles nem sabem o que é isso. Muitos brasileiros, se estivessem no Japão, iam olhar pra um garoto japonês na rua e poder pensar que ele é emo. Não! Ele nem sabe o que é isso, pra ele é só o estilo normal dele ou o que está rolando entre os adolescentes! E mangás e animes — com seus personagens de personalidades exageradas e cabelos extravagantes — são extremamente propensos a terem personagens que poderiam ser considerados emos por nós, mas que pra eles são só mais um personagem legal. Acho que se teve alguém que inventou o jeito mais emo ou extravagante de aparência foram os próprios japoneses só que sem nem saber o que criaram (vide bandas de visual-kei, por exemplo).

Pra resumir, todo mundo tem o direito de gostar e ter opinião sobre o que quiser, mas a nossa tendência de achar que o que achamos é o mais correto é completamente inaceitável e anda na contramão do caminho para o fim do preconceito no mundo. Se alguém não gostou de “Shojo S”, ótimo, mas não falem que “os japoneses erraram” ou que “uma abertura com muita ação e música mais ágil é sempre a melhor opção e o que todos do mundo inteiro querem”. Esse “mundo inteiro” é, no máximo, nossos amigos e o pessoalzinho que conhecemos no último evento de anime, né? Bem pensamento de brasileiro, mesmo…

Detalhe, não sou anti-brasileiros ou pró-japoneses-one-hundred-percent. Se fosse, não estaria escrevendo o mesmo romance há mais de dois anos que tem como palco principalmente o Brasil. Estou expressando uma opinião mais realista, a partir da análise que eu venho fazendo do comportamento dos otakus brasileiros e também americanos. Isso sempre esteve na minha cabeça, mas, só depois do comentário do Letty (aliás, valeu Letty, você me “despertou”!) é que isso tudo que estava preso à minha mente resolveu se expor.

Pra finalizar, quero sugerir que todos estejam sempre mais abertos a tudo. A mudanças, a novidades, ao diferente, ao outro, porque na visão do outro, somos “o outro” também! Convém, portanto, escutar mais gêneros de música, ver outros tipos de arte senão apenas mangá, ler mais livros, ser mais xenófilo e menos etnocêntrico. É preciso abrir nossa mente.

No mais, relaxem e gozem! Apreciem o anime como ele é! E ouçam mais Mozart e menos Iron Maiden! (tá, essa não é preciso seguir tão fielmente XD).

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