CANAAN

22/07/2009 às 7:38 PM | Publicado em Informativo, Reviews | 4 Comentários
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Queria falar de um anime que resolvi assistir esses dias. Ao contrário do que muitos podem pensar, eu raramente vejo animes. Tudo o que eu assisto é o episódio semanal de Bleach e um ou outro anime de tantas em tantas semanas (geralmente meses) os quais raramente passo dos primeiros episódios. Fora isso, leio os mangás semanais de Bleach, Naruto, Bakuman e acabou. O resto do meu tempo a la nerd-otaku vai para o processo criativo de histórias e vídeo game (agora jogando Persona 4, finalmente).

Foi meio por acaso. Eu estava no site Hinata-Sou outro dia para ver se algum lançamento de anime me atraía. Mas, pelas imagens, só via coisas que remetiam a velhos clichês, animes shojo de romancezinho brega onde o cara vive caindo em peitos, MAHOU-shojo (esses já chegaram no limite criativo, né?), shonens blergh (é, foi a melhor palavra que encontrei para definir!) e PUTZ… O remake ou sei lá o que da Suzumiya Haruhi no Yuu’utsu, que, numa boa, o estúdio que anima isso podia usar seu tempo e dinheiro (são praticamente a mesma coisa, segundo dizem, hehe) para algo NOVO, NÉ?? Sem falar que é um dos infernos dos cosplays depois da Santa Trindade da Shonen Jump (One Piece, Naruto e Bleach, nessa ordem de importância e fama, viu?). E a dancinha… Ah, A DANCINHA!!! Meu Deus, por isso que não me considero mais otaku.

Ai, ai… Mas vamos ao que interessa:

CANAAN 
CANAAN é um anime que, pelo que parece, se passa anos depois dos eventos de um jogo para Wii chamado Yonniihachi: Fūsasareta Shibuya de, que foi um dos poucos jogos que já ganhou nota máxima da revista japonesa de games Famitsu. A história (do jogo) é sobre pessoas que não se conhecem e que se vêem envolvidos em diversos mistérios no bairro de Shibuya. O jogo é estilo visual novel, daqueles onde você escolhe opções para se chegar ao final e, possivelmente, ter mais de um final diferente.

O engraçado é que, um dos poucos animes que vi no Hinata-Sou, esse foi um dos poucos cuja imagem (só pela imagem, hein!) me chamou a atenção, e por acaso, fiquei sabendo desse tal jogo para Wii no mesmo dia lendo alguma coisa na internet e, quando vi que os dois estavam relacionados, resolvi dar uma olhada.

A sinopse é meio complicada de dar, mas tentarei:

Uma dupla de jornalistas japoneses vai até Xangai para cobrir o festival que lá está havendo e outros furos jornalísticos (na verdade, não é bem especificado o motivo da vinda deles). Eles acabam se envolvendo no confronto entre uma garota-soldado, Canaan, e pessoas que… querem matá-la (também não especificado). Um dos jornalistas, uma cameraman (-woman?) chamada Maria Ōsawa, acaba fugindo pelas ruas da cidade com Canaan e vemos que as duas são amigas de infância. Bem, é mais ou menos isso. Ainda temos que descobrir quem são os caras que estão atrás de Canaan, o verdadeiro motivo da vinda dos jornalistas e outras questões mais.

Até agora, CANAAN só tem 3 episódios lançados (sendo que vi dois), mas, até agora, já pude formular uma opinião geral da coisa. Pra começar, é certo que é um anime com muita ação e violência. Bem no estilo filme de ação americano com muita perseguição, tiros, sangue e o escambau. Jogue um pouco de sobrenatural científico e traumas de personagens e você tem algo… não muito original? É, definitivamente, você já viu isso em algum lugar. Mas CANAAN tem um estilo diferente. Às vezes é como se os personagens não pertencessem àquele mundo. Você tem, por exemplo, uma fotógrafa toda bobinha (A Maria) e com design de anime shojo, mas a animação é bem realista e o sangue e tiros correm soltos! Misturar os dois fica um negócio bem esquisito… mas que até que dá certo!

Outra coisa, há humor e típicas sequências de movimentos exagerados de animes (algo que num anime realista também causa grande contraste). É um anime confuso de início, que não se preocupa em explicar absolutamente nada. Você só tem uma noção de quem são os vilões (pelo menos nos termos de “quem está contra a protagonista”) e acabou. Mas, eu gosto de animes assim, me dão mais curiosidade para continuar assistindo.

Para vir de um jogo que recebeu nota máxima da Famitsu, acredito que, no mínimo, será um anime razoável, de média 7.0 em questão de nota. Até agora, dou 8.0.

Vamos ver se continua assim.

Mazelas otakas ocidentais

25/03/2009 às 4:47 PM | Publicado em Papo com o Leitor | 1 Comentário
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Minha teoria estava correta! O grande problema de nós ocidentais no quesito comércio de produtos da cultura pop japonesa (ou qualquer coisa influenciada por ela) é a falta de interesse de ingressar nele.

 

Ok, comecei este post com uma afirmação que para muitos soa meio “hã?!”, mas era só para assustar um pouco e atiçar a curiosidade.

 

Explico.

 

Conforme li nestes dois posts do Shoujo Café e do JCast, pude confirmar o que já meio que sabia. Nós ocidentais queremos apenas usufruir de tudo que o Japão oferece sem visar objetivos mais altos. A questão é a seguinte…

 

Os cosplays, por exemplo, são uma forma de se encontrar com amigos e pessoas que dividam os mesmos gostos que você em um evento e simplesmente aproveitam o momento, mostrando-se e divertindo-se. Normal, todos querem se divertir o quanto puderem. No entanto, ninguém percebe o quanto isso pode prejudicar vários outros pontos dessa coisa toda.

 

Olhem à sua volta. Notem como se comportam os otakus brasileiros e até mesmo americanos e qual a posição deles em relação ao comércio de produtos pop japoneses. Bem… Talvez seja mais fácil eu dar alguns exemplos.

 

Como o Alexandre Lancaster sempre fala em seu blog, na Europa os eventos de anime são muito diferentes dos daqui. Segundo ele, lá eles dão importância ao que é importante, promovendo encontros com autores de mangás, apresentando novos conceitos de animação japonesa, parcerias com estrangeiros, etc. Mas aqui… já perceberam que fica tudo praticamente no cosplay? E como dizem as notícias desses posts, em certos eventos no Japão, cosplayers amadores são proibidos, pois os eventos deveriam ser lugares para mostrar aquilo que fará bem à indústria e não aquilo que não fará nenhuma diferença.

 

Já notaram que quando entram em sites como a Henshin aquele pop-up anunciando concursos de cosplay aparece de tal forma que parece até que é a coisa mais importante a ser mostrada ali? Cadê mais notícias sobre o que realmente interessa como a indústria de mangás no Brasil e a oportunidade a ser dada aos jovens daqui? Sei que, por eu estar escrevendo um livro nesse estilo isso pode parecer egoísmo de minha parte, mas, isso é algo de que o Brasil realmente necessita, pois tem muita gente no mesmo barco que eu.

 

Mas não é só isso. Cadê a propaganda de novos mangás e animes bacanas nos eventos, informações sobre como funciona o comércio entre Japão e o ocidente, mais produtos originais diversificados aqui que possamos comprar por um preço mais acessível? Eu quero ler várias light novels, mas não trazem isso pro Brasil! Se pelo menos importassem em japonês ou inglês, mas nem isso… Os eventos deveriam ser lugares para termos acesso a coisa exatamente desse tipo: praticamente inacessíveis.

 

Mas como o Lancaster diz, temos é bandas convidadas pra cantar, cosplayers de Naruto aos montes, campeonatinhos de PS2/PS3 de Naruto e… ah, sei lá, 95% é Naruto e ninguém queira contradizer isso! Ou seja, coisas que são divertidas, mas que não dão em nada, não avançamos em nada. E isso não é só com a gente não, como foi falado no JCast, os americanos são assim também, talvez um pouco menos, não sei.

 

Resumo da ópera, podemos citar MAIS UMA VEZ o senhor Zé Roberto Pereira, que diz que a postura do brasileiro é de passividade, de empregado. Se formos olhar os eventos e como é o comércio de anime e mangá por aqui, vemos que isso se aplica a eles também. O que seria a passividade? Nesse caso, sinônimo de “só quero me divertir agora e estou pouco me lixando pra fazer algo em prol de novidades e criar oportunidades”. Em outras palavras, somos reativos demais e pouco pró-ativos. O que vier tá bom, tenho o meu Naruto aqui, minha fantasia da Akatsuki, e tá tudo ótimo! Não quero saber de mais nada!

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