Compilação de tweets não publicados (3)

26/04/2013 às 8:05 PM | Publicado em Besteiras, Papo com o Leitor | 3 Comentários
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Sem querer puxar a sardinha pro meu lado, mas sinceramente acho que uma aulinha ou duas de psicologia social não fariam mal a ninguém.

Sei lá, o povo é muito… etnocêntrico. Não consegue analisar algo de outra cultura pelos olhos dessa cultura. Já falei disso aqui antes.

Sobre o Naruto ser gay, por exemplo. Ele não é GAY, ele é JAPONÊS. Pergunta-se: que elementos configuram um homossexual para um japonês?

Porque tem países da Ásia onde homens se cumprimentam com um estalo NA BOCA. Quer dizer que eles são gays?

“Ah, ele é obcecado pelo Sasuke.” Olha, se VOCÊ não iria até o fim do mundo pelo melhor amigo, tirá-lo de uma vida ruim, tem gente que iria.

É tudo tão simplista, com análises tão superficiais, carregadas de preconcepções culturais E individuais… Enfim…

@rafaelpombo

Devaneios: livros brasileiros

12/10/2012 às 12:24 AM | Publicado em Livros, Papo com o Leitor | Deixe um comentário
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Excluindo o fator divulgação (algo estúpido de fazer, eu sei), certamente há alguma razão para que livros brasileiros sejam vistos como de qualidade inferior à de livros britânicos ou estadunidenses. Nenhum preconceito é por acaso, e não podemos negar que esse preconceito existe, talvez mais bem-fundamentado do que imaginamos.

Às vezes me pergunto se é o próprio cenário brasileiro que afasta os leitores. Tem gente que não quer ler sobre pobreza, favela e funk, por mais que sejam elementos da nossa realidade, e tem gente que acusa um livro de não estar em conformidade com a realidade só porque o enfoque da história é na classe B para cima e não na classe C para baixo.

É como se não importasse que tipo de história você tente escrever sobre o Brasil: o caos econômico e cultural parece não permitir que haja um sucesso nacional que não seja do Paulo Coelho.

Acredito que isso se aplique até à mentalidade de um personagem. Um protagonista honesto e disposto a morrer por uma ideologia ou por seus entes queridos? “Ah, isso não existe aqui!” Um protagonista malandro que passa a perna em todo o mundo? “Pô, só tem isso na ficção brasileira, que saco!”

Daí, talvez, a busca por uma literatura que retrate um cenário melhor (em alguns aspectos) e mais igualitário (isso, sem dúvida) como o de países desenvolvidos. É uma expatriação mental e voluntária.

Não sei qual é a saída, mas eu particularmente continuarei escrevendo o que acho que devo escrever. Ou melhor, o que quero escrever. A minha própria história tem de me agradar antes de agradar os outros. Aconteça ela no Brasil, em Atlântida ou em Nibiru.

Uma mensagem, dois entendimentos

01/08/2009 às 7:10 PM | Publicado em Japão, Mangás, Papo com o Leitor | 7 Comentários
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Aqui estou eu de novo para meter bronca em mais conceitos otakus absurdos que se cristalizaram.

Falaremos de faixa etária de mangás e animes, sua censura e violência.

“Eu gosto de Naruto”, diz um otaku.
“Aquela desenho de criança?”, diz uma outra pessoa.
“Não é desenho! É anime!! E não é de criança, você acha que é de criança porque viu no SBT! Se visse o real, ia ver que é cheio de violência e mensagens sérias!!”, irrita-se o otaku.

Quem está errado?
Os dois.

Vamos começar analisando o conceito da faixa etária dos mangás no Japão:

A revista semanal Shonen Jump, onde são publicados os mais conhecidos mangás shonen da atualidade, como Naruto, One Piece, Bleach, Katekyo Hitman Reborn! e outros, é uma revista que tem como seu alvo principal pessoas do gênero masculino dos 10 aos 14 anos, mais ou menos. É basicamente um público do pré-adolescente à etapa inicial da adolescência. Isso porque estou sendo bonzinho. Porque me digam: 10 anos de idade não é criança, não? E está lendo seu amado Naruto. Se você tem 18, 19, 20 anos de idade e lê ou assiste Naruto, desculpe, mas, no Japão, você é minoria. É claro que é um número razoavelmente grande, mas o número de pré-adolescentes lendo é bem maior.

Mas então por que os cortes e censura nos animes que passam para as crianças (que também são o público alvo) aqui no Brasil? Se as crianças japonesas assistem à versão real sem problemas? Isso é uma questão cultural e educacional. Otakus, parem de usar a desculpa de que esses animes citados aí em cima não são para crianças e é por isso que são censurados aqui no Brasil. São censurados porque diferentes culturas e mentalidades reagem de forma diferente à mesma coisa.

A cultura e educação de nossas crianças, misturadas ao ambiente em que vivem, proporcionam um mau crescimento de seus valores. Achamos que violência é normal e, às vezes, até divertido, que podemos dar jeitinho em tudo, mesmo quando é ilegal (o “jeitinho brasileiro”), faltamos com respeito, não somos leais, não somos mente aberta. O pólo oposto ao da grande maioria dos orientais. É natural que os pais não queiram que os filhos assistam aos “desenhos japoneses horrorosos cheios de violência”. Quando pros japoneses eles são só… diversão.

Esse é um outro ponto da nossa cultura. É como se os pais achassem que é a TV e a escola que fossem responsáveis pela criação de seus filhos. Acham que a TV tem alguma obrigação de só mostrar desenhos educativos às crianças, de forma a complementar aquilo que eles mesmos não ensinaram. Não entendem que, um anime, por exemplo, não tem obrigação alguma de passar mensagens educativas (a menos que seja um anime educativo, como o recente Elementhunters, sobre o qual eu falo mais tarde). Estão lá só pra divertir, entreter. Você por acaso vai assistir One Piece ou Bleach pelo seu teor educativo? Até parece. No máximo aprende-se um pouco de japonês e uma ou outra coisa de cultura. Mas não é essa a intenção dos produtores. E aí, quando os pais brasileiros, aliás, os ocidentais em geral, vêem o filho assistindo animes assim, acham um absurdo que só exibam violência.

Mas os animes baseados nos mangás da Shonen Jump querem, em vez de mensagens educativas, mandar mensagens de certos valores. Para quem não sabe, o lema da Shonen Jump é “Esforço, Amizade e Vitória”, baseado numa pesquisa que fizeram com jovens garotos para saber que coisas eram mais importante para eles. E esses são os valores que a revista mais preza. Em consequência disso, os animes baseados em seus mangás os transmitem para as crianças que os assistem. Mas aqui, pela nossa cultura, algo com violência para crianças nunca seria algo que transmita esforço, amizade e vitória, apenas aulas de como ser bandido.

Mas aí, cês sabem, né. No Japão, esse conceito de aulas de como ser bandido nem entra na cabeça dos pais e muito menos das crianças.

Mazelas otakas ocidentais

25/03/2009 às 4:47 PM | Publicado em Papo com o Leitor | 1 Comentário
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Minha teoria estava correta! O grande problema de nós ocidentais no quesito comércio de produtos da cultura pop japonesa (ou qualquer coisa influenciada por ela) é a falta de interesse de ingressar nele.

 

Ok, comecei este post com uma afirmação que para muitos soa meio “hã?!”, mas era só para assustar um pouco e atiçar a curiosidade.

 

Explico.

 

Conforme li nestes dois posts do Shoujo Café e do JCast, pude confirmar o que já meio que sabia. Nós ocidentais queremos apenas usufruir de tudo que o Japão oferece sem visar objetivos mais altos. A questão é a seguinte…

 

Os cosplays, por exemplo, são uma forma de se encontrar com amigos e pessoas que dividam os mesmos gostos que você em um evento e simplesmente aproveitam o momento, mostrando-se e divertindo-se. Normal, todos querem se divertir o quanto puderem. No entanto, ninguém percebe o quanto isso pode prejudicar vários outros pontos dessa coisa toda.

 

Olhem à sua volta. Notem como se comportam os otakus brasileiros e até mesmo americanos e qual a posição deles em relação ao comércio de produtos pop japoneses. Bem… Talvez seja mais fácil eu dar alguns exemplos.

 

Como o Alexandre Lancaster sempre fala em seu blog, na Europa os eventos de anime são muito diferentes dos daqui. Segundo ele, lá eles dão importância ao que é importante, promovendo encontros com autores de mangás, apresentando novos conceitos de animação japonesa, parcerias com estrangeiros, etc. Mas aqui… já perceberam que fica tudo praticamente no cosplay? E como dizem as notícias desses posts, em certos eventos no Japão, cosplayers amadores são proibidos, pois os eventos deveriam ser lugares para mostrar aquilo que fará bem à indústria e não aquilo que não fará nenhuma diferença.

 

Já notaram que quando entram em sites como a Henshin aquele pop-up anunciando concursos de cosplay aparece de tal forma que parece até que é a coisa mais importante a ser mostrada ali? Cadê mais notícias sobre o que realmente interessa como a indústria de mangás no Brasil e a oportunidade a ser dada aos jovens daqui? Sei que, por eu estar escrevendo um livro nesse estilo isso pode parecer egoísmo de minha parte, mas, isso é algo de que o Brasil realmente necessita, pois tem muita gente no mesmo barco que eu.

 

Mas não é só isso. Cadê a propaganda de novos mangás e animes bacanas nos eventos, informações sobre como funciona o comércio entre Japão e o ocidente, mais produtos originais diversificados aqui que possamos comprar por um preço mais acessível? Eu quero ler várias light novels, mas não trazem isso pro Brasil! Se pelo menos importassem em japonês ou inglês, mas nem isso… Os eventos deveriam ser lugares para termos acesso a coisa exatamente desse tipo: praticamente inacessíveis.

 

Mas como o Lancaster diz, temos é bandas convidadas pra cantar, cosplayers de Naruto aos montes, campeonatinhos de PS2/PS3 de Naruto e… ah, sei lá, 95% é Naruto e ninguém queira contradizer isso! Ou seja, coisas que são divertidas, mas que não dão em nada, não avançamos em nada. E isso não é só com a gente não, como foi falado no JCast, os americanos são assim também, talvez um pouco menos, não sei.

 

Resumo da ópera, podemos citar MAIS UMA VEZ o senhor Zé Roberto Pereira, que diz que a postura do brasileiro é de passividade, de empregado. Se formos olhar os eventos e como é o comércio de anime e mangá por aqui, vemos que isso se aplica a eles também. O que seria a passividade? Nesse caso, sinônimo de “só quero me divertir agora e estou pouco me lixando pra fazer algo em prol de novidades e criar oportunidades”. Em outras palavras, somos reativos demais e pouco pró-ativos. O que vier tá bom, tenho o meu Naruto aqui, minha fantasia da Akatsuki, e tá tudo ótimo! Não quero saber de mais nada!

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