Frivolidades

03/03/2015 às 6:43 PM | Publicado em Papo com o Leitor | 1 Comentário
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Eu gosto de livros. Eu gosto de videogame. E embora não goste de programas de TV como Big Brother Brasil, estou pronto para defendê-los quando a hipocrisia entra em questão.

O que estou querendo dizer? Bem, falo sobretudo dos argumentos usados para defender ou atacar produtos e obras de forma impensada — do desespero que gera desculpas esfarrapadas.

Nos últimos tempos, cresceu o número de defensores dos livros de entretenimento no Brasil — junto com o crescimento de leitores — contra as atitudes e pensamentos esnobes da galera intelectual, da chamada “alta literatura”.

É louvável esse tipo de defesa, mas não com os argumentos que vêm sendo apresentados. “Ler, qualquer coisa que seja, é bom, porque…” …estimula a mente, aumenta o vocabulário, abre novos horizontes…

OK, ótimo, mas se olharmos de perto, veremos que são argumentos muito parecidos com os do pessoal da alta literatura. É como se a mera diversão de ler um livro não fosse argumento bom o suficiente para alguém fazê-lo.

Nós, que gostamos de uma leitura prazerosa sem nos importarmos se ficaremos mais inteligentes no final, não devemos satisfações a ninguém.

O mesmo vem acontecendo no mundo dos games, com essa necessidade de mostrar ao governo quão educativos os jogos podem ser, que estudos apontam que jogar é benéfico à coordenação motora da criança e blá-blá-blá.

Programas de TV como o Big Brother sofrem críticas ferrenhas por não terem “compromisso educativo com a população” ou seja lá como queiram chamar.

Acho que esse desespero de querer mostrar que isso ou aquilo é bom ou ruim para a educação de um indivíduo é típico de países que não conseguem lidar com seus problemas de violência e/ou desigualdade social.

Não acho, por exemplo, que sejam comuns debates sobre o teor educativo de programas de TV, mangás ou jogos no Japão, já que essas coisas são vistas, em sua maioria, como meios de diversão e a sociedade já funciona de forma razoavelmente ordenada.

Você joga futebol ou anda de skate para ficar mais inteligente? Ou com o único propósito de ficar mais saudável? Acho que isso não passa pela cabeça de uma criança. Ela quer diversão, e não há problema nisso.

Se fôssemos analisar tudo o que fazemos e julgarmos que só vale a pena fazer o que nos faz evoluir física ou intelectualmente, vamos acabar como a galerinha lá da alta literatura, que pelo visto nunca jogou futebol na vida e só ouve música clássica, sei lá.

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