Devaneios: livros brasileiros

12/10/2012 às 12:24 AM | Publicado em Livros, Papo com o Leitor | Deixe um comentário
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Excluindo o fator divulgação (algo estúpido de fazer, eu sei), certamente há alguma razão para que livros brasileiros sejam vistos como de qualidade inferior à de livros britânicos ou estadunidenses. Nenhum preconceito é por acaso, e não podemos negar que esse preconceito existe, talvez mais bem-fundamentado do que imaginamos.

Às vezes me pergunto se é o próprio cenário brasileiro que afasta os leitores. Tem gente que não quer ler sobre pobreza, favela e funk, por mais que sejam elementos da nossa realidade, e tem gente que acusa um livro de não estar em conformidade com a realidade só porque o enfoque da história é na classe B para cima e não na classe C para baixo.

É como se não importasse que tipo de história você tente escrever sobre o Brasil: o caos econômico e cultural parece não permitir que haja um sucesso nacional que não seja do Paulo Coelho.

Acredito que isso se aplique até à mentalidade de um personagem. Um protagonista honesto e disposto a morrer por uma ideologia ou por seus entes queridos? “Ah, isso não existe aqui!” Um protagonista malandro que passa a perna em todo o mundo? “Pô, só tem isso na ficção brasileira, que saco!”

Daí, talvez, a busca por uma literatura que retrate um cenário melhor (em alguns aspectos) e mais igualitário (isso, sem dúvida) como o de países desenvolvidos. É uma expatriação mental e voluntária.

Não sei qual é a saída, mas eu particularmente continuarei escrevendo o que acho que devo escrever. Ou melhor, o que quero escrever. A minha própria história tem de me agradar antes de agradar os outros. Aconteça ela no Brasil, em Atlântida ou em Nibiru.

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Personagens de mangá, sua popularidade em diferentes países e uma análise

23/01/2011 às 8:28 PM | Publicado em Animes, Besteiras, Mangás, Papo com o Leitor | 22 Comentários
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Certa vez, eu li em algum site sobre a diferença da fama de alguns personagens de mangá em diferentes países. Como assim? Ora, primeiramente, é evidente que o personagem de que você mais gosta não é necessariamente o personagem preferido de outra pessoa, muitas vezes nem está no Top 5 dela. Então não é estranho que haja uma variação também da popularidade de um personagem em vários países.

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Criação de Personagens: Ficha

20/02/2010 às 2:49 AM | Publicado em Informativo, Livros | 18 Comentários
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Com dificuldades para sequer trabalhar o rascunho da concepção de um personagem? Bem, todos os autores têm que passar por aquela fase inicial da criação de um personagem que vai desde sua aparência física e personalidade até sua função (muitas vezes vital) numa história. No meio do caminho podemos cometer deslizes que comprometem a autenticidade de um personagem, como descrevê-lo de maneira contraditória à maneira que fizemos antes ou representá-lo de forma incompatível com sua personalidade e desejos. Por isso é importante conhecermos nossos personagens assim como conhecemos pessoas ao nosso redor, pela sua aparência, jeito que agem, falam, se comportam, suas metas, qualidades, defeitos etc.

Quando um bebê nasce, seus pais não sabem praticamente nada sobre ele, até porque o recém-nascido ainda precisa experimentar o mundo ao seu redor para ganhar uma identidade emocional e afetiva próprias. Seus pais só saberão se ele é quieto ou enérgico ao observarem seu comportamento. Só saberão se prefere vermelho ou azul quando ele lhes contar isso. E a criança adquire seus próprios gostos e aspirações de acordo com suas experiências e contatos com as menores coisas que podemos imaginar.

Um personagem, assim como um bebê que cresce e se torna um indivíduo único, também ganha suas características baseado no que ele viveu até o momento em que a história é contada. Ao criar um personagem que está sempre alegre sem dar um motivo para isso, você estará simplesmente jogando uma característica aleatória nele sem considerar o que fez ele ser uma pessoa alegre. É importante planejar toda a estrutura emocional de um personagem como se estivéssemos acompanhando o crescimento de um bebê.

Para facilitar esse trabalho, não é incomum escritores utilizarem as famosas “fichas de personagem”, nas quais eles guardam as informações básicas sobre cada um dos personagens mais importantes que aparecem numa história. Porém, muitas vezes de tão básicas, essas fichas costumam abrir espaço apenas para informações “jogadas”, como o exemplo do personagem alegre que dei acima. Elas possuem um espaço para você colocar que ele é alegre, mas não um que lhe permitar explicar por quê, quais experiências o fizeram ser assim.

Portanto, resolvi trazer duas fichas muito interessantes e muito mais completas do que as que se costuma ver por aí para que os interessados possam dar um quê muito mais detalhado e realista aos seus personagens na hora de criá-los.

A primeira é a ficha utilizada pelo autor Rick Riordan, da série de livros Percy Jackson e os Olimpianos, traduzida por mim. Há lacunas bastante interessantes para se completar a respeito do seu personagem, coisas que muitos de nós nem pensaram a respeito antes. Algumas são até difíceis de se preencher, o que prova que muitas vezes não conhecemos nossos personagens tanto quanto pensávamos.

Eis a ficha: AQUI.

A outra, também excelente, eu achei em um site americano que agora não me recordo bem qual, e também traduzida por mim. É tão detalhado que até cansa preencher tudo! Mas é vital para uma elaboração realista de personagem.

É só clicar: AQUI.

A última, na verdade, é uma daquela fichas mais básicas que estamos acostumados a ver, mas ela também é útil para visualizarmos mais rápido as informações mais superficiais de um personagem quando precisarmos. Essa ficha é do nosso considerado BK, ou José Roberto Pereira, que a usou em uma aula sobre publicação comercial e criação de histórias e personagens.

Link: AQUI.

E o conselho dele a respeito do nome do personagem é pra se levar bem a sério! Um nome é mais importante do que vocês podem imaginar. Um nome chutado, como ele diz aí, pode arruinar a credibilidade de um texto inteiro! Inúmeras vezes eu parei de ler uma história de alguém logo nas primeiras linhas porque o nome do protagonista, um japonês, era algo como “Mitsashi Kiyejo”. Um nome totalmente impossível no Japão. Por isso a pesquisa é de extrema importância também. Isso inclui nomes, costumes e ambiente (exemplo: não se coloca um “vilarejo próspero” no meio de um deserto árido e totalmente isolado do mundo se não há água em nenhum lugar por perto, solo bom para se cultivar alimentos e não há relações de importação ou exportação de outros lugares; um vilarejo assim nunca prosperaria, a não ser que você dê uma explicação bastante crível, provavelmente tendo que acrescentar algo de sobrenatural).

Bem, espero que isso seja de alguma ajuda a todos os autores que querem tornar seu trabalho mais autêntico! Pensar nos detalhes é essencial e pode fazer a diferença para os olhos de um leitor mais crítico!

Boa sorte!

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