Etnocentrismo e o Outro

19/05/2009 às 8:29 PM | Publicado em Papo com o Leitor | 8 Comentários
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Originalmente isso era uma resposta ao comentário do nosso amigo Letty, no post da “Shojo S”. Mas, como ficou muito grande, resolvi fazer um post sobre isso. Só gostaria de avisar ao Letty que isso ERA uma resposta ao comentário dele, mas emendei em uma mensagem que fosse pra todos e fazendo de gancho o comentário dele. Vamos lá:

Eu quis dizer impactante de forma positiva. "Shojo S" foi impactante de forma negativa. Mas, pra mim, foi positiva, sim, já disse que gostei. Com um nome como "Shojo S", eu já esperava uma música mais tranquilinha, mais YUI, ou seja, a batida é legal. Alguns consideram "batida legal" rock pesado, mas comigo não é só isso. Não acho que foi brincadeirinha, a mente dos japoneses é muito diferente da nossa. Tenho certeza de que muito mais gente no Japão gostou da música do que aqui. Acho até que eles pensaram: "Finalmente uma abertura que não é só ceninha de ação! Algo mais artístico e bem bolado!"

Eu não queria dizer isso, mas, nós brasileiros somos chatos demais. Somos mente fechada demais. Nos achamos capazes de julgar se o modo como os japoneses estão produzindo um anime é certo ou errado, ou seja, para nós a nossa opinião, o que queremos e o nosso modo de pensar são os mais importantes (quase um etnocentrismo, hehehe) quando eles estão pouco se lixando se tem gente da América Latina assistindo ou não (até porque eles devem nos ver como tendo uma forma de pensar “bárbara, primitiva e preconceituosa”), para eles o que interessa é o modo de pensar e gostos JAPONESES. Temos que parar com isso de: "Quero música de abertura punk rock sempre, quero que o Zaraki apareça sempre, quero que o Ichigo e o ‘Emoquiorra’ morram", etc.

E aceitem, o Sasuke (sim, agora falando de Naruto) é EXTREMAMENTE popular no Japão, se não o mais popular, e aqui ele é altamente detestado, xingado e zoado. Percebem como o que impera é o que os japoneses preferem? E Naruto nem mesmo é TÃO popular assim no Japão comparado a outros certos animes e mangás. A mente deles é mesmo muito diferente, o que pra nós é coisa de menina, emo ou gay, pra eles é algo estiloso, e depois ficamos “Ps” da vida porque eles estão dando mais atenção a essas coisas do que àquilo que nós queremos que eles dêem. E o pior: Não entendemos por que eles gostam de tais coisas. Cara, é tão simples! Porque sim! Diferença de culturas, ora! Mais uma vez falo esse termo importantíssimo em sociologia, a qual venho estudando: ETNOCENTRISMO. Que é a tendência em se pensar que a cultura, costumes e modo de pensar do meio em que se vive são os melhores, os mais certos e os “normais” em comparação aos dos outros.

Mesmo que você goste de animes e queira assisti-los, prepare-se pois você VAI encontrar coisas das quais você não gosta, porque o choque de cultura e pensamento é grande demais por mais que você goste daquilo no geral. Lógico que não gostamos de coisas produzidas no ocidente também, mas, esse “não gostar” é diferente. Um é mais pela falta de qualidade de algo, o outro pela falta de entendimento.

Alguém conhece um grupo musical japonês chamado Hey! Say! JUMP? Ele é composto de dez meninos de idade entre 13 a 19 anos, por aí, que canta musiquinhas bem pop (daquelas de agradar meninas). Se um brasileiro que gosta de anime e cultura pop japonesa em geral, por mais que ele goste dessas coisas, visse algumas cenas dos bastidores desse grupo, iam achar que são gays! Porque a forma como eles agem e interagem é de um jeito diferente da amizade daqui, pois ela contém ações muito, digamos, carinhosas. Um dos membros mais velhos deixava um dos mais novos sentar no colo dele e todos comentavam o quanto o menor era kawaii (algo como “bonitinho”) fazendo isso. Pra eles, isso não é ser gay, esse tipo de termo dificilmente passa pela cabeça deles, apesar deles saberem o que é, claro, mas atos assim não são considerados como tal.

O mesmo pode-se falar dos emos. Que eu saiba, do tanto que já li coisas de lá e conversei com pessoas de lá, eles nem sabem o que é isso. Muitos brasileiros, se estivessem no Japão, iam olhar pra um garoto japonês na rua e poder pensar que ele é emo. Não! Ele nem sabe o que é isso, pra ele é só o estilo normal dele ou o que está rolando entre os adolescentes! E mangás e animes — com seus personagens de personalidades exageradas e cabelos extravagantes — são extremamente propensos a terem personagens que poderiam ser considerados emos por nós, mas que pra eles são só mais um personagem legal. Acho que se teve alguém que inventou o jeito mais emo ou extravagante de aparência foram os próprios japoneses só que sem nem saber o que criaram (vide bandas de visual-kei, por exemplo).

Pra resumir, todo mundo tem o direito de gostar e ter opinião sobre o que quiser, mas a nossa tendência de achar que o que achamos é o mais correto é completamente inaceitável e anda na contramão do caminho para o fim do preconceito no mundo. Se alguém não gostou de “Shojo S”, ótimo, mas não falem que “os japoneses erraram” ou que “uma abertura com muita ação e música mais ágil é sempre a melhor opção e o que todos do mundo inteiro querem”. Esse “mundo inteiro” é, no máximo, nossos amigos e o pessoalzinho que conhecemos no último evento de anime, né? Bem pensamento de brasileiro, mesmo…

Detalhe, não sou anti-brasileiros ou pró-japoneses-one-hundred-percent. Se fosse, não estaria escrevendo o mesmo romance há mais de dois anos que tem como palco principalmente o Brasil. Estou expressando uma opinião mais realista, a partir da análise que eu venho fazendo do comportamento dos otakus brasileiros e também americanos. Isso sempre esteve na minha cabeça, mas, só depois do comentário do Letty (aliás, valeu Letty, você me “despertou”!) é que isso tudo que estava preso à minha mente resolveu se expor.

Pra finalizar, quero sugerir que todos estejam sempre mais abertos a tudo. A mudanças, a novidades, ao diferente, ao outro, porque na visão do outro, somos “o outro” também! Convém, portanto, escutar mais gêneros de música, ver outros tipos de arte senão apenas mangá, ler mais livros, ser mais xenófilo e menos etnocêntrico. É preciso abrir nossa mente.

No mais, relaxem e gozem! Apreciem o anime como ele é! E ouçam mais Mozart e menos Iron Maiden! (tá, essa não é preciso seguir tão fielmente XD).

Letra e Tradução de “Shōjo S”

14/04/2009 às 7:22 AM | Publicado em Papo com o Leitor | 11 Comentários
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Lembrando que peguei a letra da música de ouvido, então vão haver alguns erros. O mesmo vale para a tradução!

 

Shōjo S (Garota S) por SCANDAL:

 

SANKYUU made dou itteru koto chigau janai

Chotto dake sugao miseta keredo HOO HOO HOO HOO

Dareka no seibishite wa nigekakureshite iru hibi ate ni naranai wa

Aisou ni toriaezu sayounara

 

Anata ga inai to iya iya tte ieru wagamama

Aijou yuujou shiritai koto wa nare no

Itsuka kokoro no kai wo kowasu yo na

Anata ga inai to iya iya tte ieru wagamama

Aijou yuujou shiritai koto wa nare no

Itsuka kokoro no oku no towa wo tataku

 

Anata wo matte iru

Hoka ni wa nani mo iranai ai ai aa

Ashita mo shinjite itai ai ai aa

 

TRADUÇÃO:

 

Não é questão de como ter de dizer “obrigado”

Mas você me mostrou um pouco sua franqueza HOO HOO HOO HOO

Dias em que alguém foge do controle não servem de nada

Parecendo-me ser amor, te digo adeus, por enquanto

 

Sou egoísta a ponto de dizer que é horrível você não estar aqui

Estou habituada a querer saber o que é afeição e amizade

Um dia, romperei a concha de seu coração

Sou egoísta a ponto de dizer que é horrível você não estar aqui

Estou habituada a querer saber o que é afeição e amizade

Um dia baterei na eternidade dentro do coração

 

Estarei esperando por você

Não preciso de mais nada

Quero seguir acreditando no futuro

Viagem e, claro, BLEACH!

09/03/2009 às 6:52 PM | Publicado em Informativo | 1 Comentário
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Só dando uma passada rápida aqui pra não deixar o blog morrer!

 

Bem, de assuntos interessantes, tem a minha loooonga e cansativa viagem nesse fim de semana ao Fim do Mundo a.k.a Itajubá, Minas Gerais para o casamento do meu primo. Se você é de Itajubá, não se sinta ofendido, eu estou apenas me referindo à distância, não à cidade em si. No geral, foi bacana, mas, não sou muito de festas, o que inclui festa de casamento. Eu gosto de viajar de carro, mas, viajar enjoado ou com dor de barriga é uma coisa que não desejo nem para meus inimigos (os quais não tenho, hehe).

 

A parada em Campos do Jordão para o almoço na volta para o Rio foi legal, principalmente pelo fato de eu nunca ter sequer botado os pés em alguma cidade do estado de São Paulo antes (vergonhoso, eu sei). Cara… COMO TEM JAPONÊS! E eu nem tava na Liberdade na grande São Paulo!

 

Aqui no Rio eu quase não vejo pessoas de descendência oriental, é bem curioso isso. Falando rapidamente de Elementais, sabe que eu tenho uma idéia ou outra para um spin-off que se passa em São Paulo? Mas isso seria pra daqui a muito tempo e só quando o livro ficar famoso (eu falo com tanta convicção de que vai dar certo, né? Haha).

 

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Mudando radicalmente de assunto, alguém está bem ansioso pelas novas músicas de abertura e encerramento de Bleach? Pô, fala sério, a banda que fará a nova música de abertura “Shojo S”, chamada Scandal, composta por quatro garotas que ainda parecem estar no Ensino Médio, toca muito! Das três músicas que ouvi, dadas por links no site bleachPROJECT, achei todas ótimas. Os caras dos estúdios de animação realmente sabem escolher boas bandas para esses animes famosíssimos.

 

O novo tema de encerramento ficará a cargo da banda Sambomaster, que já fez uma música para Bleach, o tema do segundo filme. E, a música que eu adoro citar, que é a quinta abertura de Naruto (o normal, não o Shippuuden), “Seishun Kyousoukyoku”, pra mim melhor do que “Haruka Kanata” e “GO!!”, as favoritas da galera.

 

Estou com altas expectativas e acho que não irão me decepcionar!

 

Agora, já que falei em Naruto, estou há semanas sem ver. Não que eu não assista fillers, eu até acho bacana alguns, mas, sei lá, tá TÃO chato ultimamente, e Bleach tá TÃO melhor (tanto o mangá quanto o anime, se bem que o mangá de Naruto melhorou muito) que é só o que eu tô assistindo mesmo.

 

“Velonica” é uma música maravilhosa, com ritmo e letra boas demais, mesmo. Vai ser difícil dar adeus a ela, mas, bem, novas músicas têm que vir! E que venha “Shojo S” (Garota S)!

 

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